
Adeus a Titina Medeiros: o legado da atriz potiguar que encantou o Brasil
A atriz potiguar Titina Medeiros, conhecida nacionalmente por papéis em novelas como "Cheias de Charme" e "No Rancho Fundo", morreu neste domingo (11), em Natal (RN), após enfrentar um câncer de pâncreas.[1][3]
Segundo familiares, Titina tinha 48 anos e lutava contra a doença há cerca de um ano, em tratamento oncológico havia vários meses.[2][3][5] Ela estava internada em Natal, onde residia e mantinha intensa atividade artística.[1][3]
O velório teve início na noite de domingo no Teatro Alberto Maranhão, em Natal, importante espaço da cena cultural potiguar.[3] De lá, o corpo segue em cortejo para Acari (RN), cidade em que a artista cresceu e que se tornou um dos símbolos de sua identidade nordestina; haverá nova despedida na Casa de Cultura do município antes do sepultamento no cemitério local.[1][3]
Nascida Izabel Cristina de Medeiros, em Currais Novos (RN), e criada em Acari, Titina construiu trajetória marcada pela forte ligação com o teatro nordestino e a representação de personagens ligadas ao universo do sertão.[1][2] Antes da projeção na TV, ela já acumulava décadas de atuação em palcos e projetos culturais da região.
O grande reconhecimento nacional veio em 2012, quando interpretou Socorro, a "personal colega" da cantora Chayene (Cláudia Abreu) na novela Cheias de Charme, da TV Globo, papel que a consagrou junto ao público.[1][3] A personagem, cômica e afiada, transformou a atriz em um dos destaques da trama e abriu caminho para novos trabalhos na teledramaturgia.
Na televisão, Titina participou ainda de produções como as novelas Geração Brasil, A Lei do Amor, Onde Nascem os Fortes e Mar do Sertão, além de integrar o elenco de No Rancho Fundo, em que retomou a personagem Nivalda.[1][2] Ela também esteve em séries como Chão de Estrelas, do Canal Brasil, e na sitcom Os Roni, do Multishow.[2]
Paralelamente à TV, a atriz manteve intensa atuação no teatro, integrando grupos como Carmin e Clowns de Shakespeare, referências na cena potiguar.[2] Entre os espetáculos de destaque estão montagens como Meu Seridó, Dois Amores y Um Bicho, Hamlet, Sua Incelença, Ricardo III, Muito Barulho Por Quase Nada e Pobres de Marré, trabalhos que ajudaram a consolidar seu nome na dramaturgia contemporânea.[2]
Titina era também idealizadora e gestora da Casa de Zoé, produtora e espaço criativo responsável por vários de seus projetos artísticos, reforçando sua atuação como articuladora cultural no Rio Grande do Norte.[1][2] Ela integrou ainda o grupo Candeia, do qual foi diretora, ampliando sua influência para além da atuação.[1]
Na vida pessoal, a atriz era casada há quase 20 anos com o também ator César Ferrario, com quem contracenou em "Cheias de Charme" e em diferentes projetos teatrais.[1][2] O casal era uma referência na cena cultural potiguar, frequentemente associado à resistência e produção artística no Nordeste.
A notícia da morte provocou grande comoção entre colegas de profissão, fãs e representantes da cultura nordestina. Nas redes sociais, artistas como Cristiana Oliveira e Monica Iozzi manifestaram pesar e destacaram o talento e a generosidade de Titina.[3] Mensagens de despedida ressaltam seu humor, sua força em cena e o compromisso com a representação digna do povo do sertão.
Familiares relataram que, apesar do diagnóstico agressivo, a expectativa era de mais tempo de convivência, o que tornou a partida ainda mais sentida.[3] Em publicações públicas, a irmã da atriz afirmou que a memória de Titina seguirá viva nas lembranças, nas histórias de bastidores e na obra construída ao longo de décadas de atuação.[3]
Com a morte de Titina Medeiros, o audiovisual e o teatro brasileiros perdem uma das vozes mais marcantes na representação do Nordeste na ficção recente, enquanto o Rio Grande do Norte se despede de uma de suas principais referências culturais contemporâneas.[1][2][3]
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Sources:
g1.globo.com
www.jornalopcao.com.br
www.cnnbrasil.com.br
www.jornaldocomercio.com
revistaoeste.com