
Adeus a Manoel Carlos: o legado do autor que transformou a novela brasileira
Manoel Carlos, um dos mais influentes e populares autores de telenovelas do Brasil, morreu aos 92 anos neste sábado, 10, deixando um legado marcante na teledramaturgia e na cultura do país.[1][3]
Conhecido pelo estilo intimista, pela ambientação recorrente no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, e por criar personagens femininas complexas — em especial várias protagonistas chamadas **Helena** — Manoel Carlos se consolidou como um cronista do cotidiano da classe média brasileira.[1]
Ao longo de décadas na TV, o autor escreveu sucessos como Laços de Família e Mulheres Apaixonadas, novelas que não apenas alcançaram altas audiências como também pautaram debates sociais importantes, do aumento da doação de medula óssea à discussão sobre violência doméstica, alcoolismo, homofobia e etarismo.[1]
Em Laços de Família, a cena em que a personagem Camila, com leucemia, raspa a cabeça tornou-se uma das mais emblemáticas da história da televisão brasileira e registrou a maior audiência da Globo nos anos 2000, além de estar associada ao crescimento das doações de medula óssea no país.[1] Já em Mulheres Apaixonadas, o autor abordou temas como adoção, envelhecimento, preconceito e violência urbana, incluindo a sequência em que a personagem Fernanda é atingida por uma bala perdida em pleno Leblon, o que gerou forte reação do setor de turismo do Rio de Janeiro.[1]
Fora das telas, a trajetória de Manoel Carlos também foi marcada por tragédias pessoais. Ele enfrentou a perda de três filhos e de sua primeira esposa, experiências de dor que, segundo perfis e reportagens recentes, atravessaram sua obra e seu olhar para o sofrimento humano.[3] O filho Ricardo de Almeida, dramaturgo e escritor que chegou a trabalhar com o pai, morreu em 1988, aos 32 anos, em decorrência de complicações causadas pelo vírus HIV.[3]
Anos depois, em 2012, o autor perdeu o filho mais velho, Manoel Carlos Júnior, diretor de televisão, vítima de um infarto aos 58 anos, fato que contribuiu para o adiamento da estreia da novela Em Família, que só chegaria ao ar em 2014.[3] No mesmo ano, o filho caçula, Pedro Almeida, estudante de teatro, morreu aos 22 anos após um mal súbito em Nova York.[3] Antes dessas perdas, Manoel Carlos já havia enfrentado a morte precoce de Maria de Lourdes, sua primeira esposa, aos 37 anos.[3]
Neste momento, emissoras, colegas de profissão, artistas e fãs repercutem a morte do autor, rememorando sua contribuição para a consolidação da telenovela como forma de arte e instrumento de reflexão social no Brasil.[1][2] Programas especializados em TV e cultura têm produzido edições especiais e depoimentos em homenagem ao escritor, destacando sua capacidade de unir drama familiar, crítica social e grande audiência.[2]
Com a partida de Manoel Carlos, a teledramaturgia brasileira perde um de seus maiores cronistas, cujo trabalho ajudou a moldar tanto o gênero da novela quanto o imaginário de gerações de telespectadores.
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